sábado, 13 de dezembro de 2014

Resenha do Capítulo 2 – Classificação em ordem alfabética e seus opositores – do Livro: “A nova desordem digital”. De David Weinberger

Por Ytalo Farias, Graduando em Gestão Ambiental – IFPB João Pessoa

Baseado no texto, as tentativas e discussões acerca da implantação de um alfabeto universal vem se arrastando desde o século XIX. A organização por ordem alfabética, cronológica ou outras consideradas relevantes por diversos estudiosos, tem sido palco de verdadeiros embates de opinião, em que cada um expõe argumentos válidos, porém que seguiam sua própria lógica. Por esse motivo nunca se chegava a um consenso de qual seria a melhor maneira de se organizar a tão sonhada ordem alfabética universal. A primeira referência de classificação alfabética de que se tem noticia foi descoberta na ilha de grega de Kos, pelo historiador do alfabeto Lloyd W. Daly, uma inscrição dividida em 3 listas com 150 nomes em ordem alfabética, datada aproximadamente do século III a.C.. Ao longo dos anos diversos outros estudiosos desenvolveram métodos de organização e classificação alfabética, entre outros. Tratados foram propostos, acordos realizados, até dicionários foram introduzidos, tudo na tentativa de se estabelecer um padrão para a organização em ordem alfabética. Muitos estudiosos se destacaram na pesquisa e aprimoramento da ordem classificatória da miscelânea existente no mundo, porém o estadunidense Mortiner Jerome Adler destaca-se 
dos demais por defender até a morte o seu método de organização por tópico, ignorando obviamente o modo alfabético. Enfrentou muita resistência por diversos outros estudiosos, entretanto conseguiu publicar uma de suas obras (Great Book) e fazer parte do Conselho da Encyclopaedia Britannica. No contexto digital, tanto ordem cronológica quanto ordem alfabética, apresentam-se irrelevantes, uma vez que nesse contexto, cada vez mais existe a possibilidade de se realizar pesquisas por pequenas partes na web de acordo com a necessidade de cada usuário, como o então presidente da Encyclopaedia Britannica  Joseph J. Esposito propõe em declaração feita em 1993. 

Desde os primórdios do pensamento filosófico sobre o mundo, existem os antipatizantes da ordem alfabética, entre eles está Platão, que entre outras ideias, fala que o ordenamento alfabético é um esquema organizacional arbitrário, e que vai contra as articulações naturais existentes no mundo. Estudiosos construtivistas sociais propõe que a linearidade arbitrária na formação dos conceitos, definições e outros do tipo concepções de regimes ao redor do globo contribuem para a manutenção do poder pela “elite”. Entretanto, devemos ponderar que o sentido da capacidade de gerar conhecimento necessita permear o campo das articulações das nossas ideias com as articulações da natureza, pois foi desse maneira que se conseguiu moldar o ocidente.

Outra ordem a muito discutida por diversos pensadores e pesquisadores é a ordem do cosmos. Com a ideia da harmonia esférica proposta por Pitágoras, que é baseada em princípios matemáticos, dividida em cadeias de proporção. Passando pelo surgimento do cristianismo, que baseia a criação do universo sem falhas, em que tudo o que existe possui sua função hierárquica e complementar em consideração a outra. Em busca pelo conhecimento aprofundado em conceitos que derrubam conceitos, os cientistas provocam, implementam e também criam novos modos de ordenamento das coisas existentes no mundo. O exemplo com maior destaque abordado no texto foi da definição de planeta, em que até os dias atuais provoca muitas discussões e que momentaneamente possui uma ideia comum sobre o conceito de planeta, porém, como a própria história nos mostra, nenhum conceito perdura por muito tempo, e que sempre terá alguém disposto a derrubá-lo. O fato é, cada conceito permanecerá de pé enquanto a maioria dos cientistas concordarem sobre o mesmo aspecto que faz a ordem do conceito estabelecido se sustentar.

Outro exemplo citado no texto que mostra um ordenamento singular é o da tabela periódica dos elementos químicos. Desde que foram descobertos, os mesmos foram organizados, não pela ordem alfabética, e sim pelo número atômico, e subdivido por categorias. A tabela passou por diversos ordenamentos, pelo fato de que ao longo do tempo foram descobertos e incluídos novos elementos.

De modo geral, o autor utiliza-se de diversos exemplos, muito bem fundamentados e com bastante referencial teórico, para simplesmente apontar que para cada situação no mundo, existe uma forma de se organizar, através de ordenamento simples até os mais complexos. Desde o ordenamento alfabético, numérico, passando pelo ordenamento por tópico, pelo ordenamento sequencial de ordem de chegada e/ou descobrimento. A organização, seja ela qual for, faz parte da essência humana. Buscar a excelência através dos diversos modos de organização, faz com que a vida se torne cada vez mais prática ou não, isso dependerá fortemente ao modo singular que cada ser humano enxerga e absorve pra si a melhor maneira de se organizar, o que pode ser bom para um determinado grupo de pessoas, pode não ser para outros.

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